O Brasil e a má qualidade da educação


 

O Brasil foi considerado pela Unesco exemplo positivo ao atingir as metas da “educação primária universal” e “habilidade de jovens e adultos”. Mesmo assim, de acordo com o relatório da Unesco, divulgado em 2014, o País foi o oitavo do mundo com maior número de analfabetos.

Pasmem: 13 milhões de brasileiros não sabem ler e escrever. O número representa 8,7% da população acima de 15 anos. Segundo  estudo da Unesco, 22% dos alunos no Brasil saem da escola sem capacidades elementares de leitura e 39% não têm conhecimentos básicos de matemática. Já os analfabetos funcionais somam 27% dos adultos.

O Brasil só conseguiu cumprir duas das seis metas de oferecer a todos educação de qualidade até 2015. O compromisso foi assumido em 2000 por 164 países em pacto internacional. A qualidade inferior do ensino foi considerada pela  Unesco  como um dos principais problemas do País.

Praticamente 100% das crianças na educação primária estão matriculadas e     existe acesso igualitário à escola a meninos e meninas.  Por outro lado, o País ainda não conseguiu reduzir pela metade a taxa de analfabetismo e melhorar a qualidade da educação.

Além disso, é grande o índice de repetência e a porcentagem de jovens que são obrigados a abandonar os estudos para trabalhar. Para piorar, o acesso de jovens e adultos aos ensinos  fundamental e médio é deficitário, o que também prejudica a aquisição de habilidades que os capacita a entrar no mercado de trabalho ou a dar continuidade aos estudos.

De acordo com pesquisa realizada no início do ano pela Confederação Nacional da Indústria, a qualidade da educação no Brasil está em penúltimo lugar no ranking de competitividade entre 15 países pesquisados.

A má formação educacional gera baixa produtividade e falta de qualificação profissional, que impactam de forma negativa a economia brasileira, refletindo na estagnação e na falta de competitividade internacional.

Se não existe educação de qualidade não há incentivo à formação de trabalhadores capacitados, inclusive, a lidar com as novas tecnologias que despontam dia-a-dia para aumentar a produtividade das empresas.

O que fazer, então, para melhorar a qualidade da educação? Primeiro, investir no treinamento, capacitação e reciclagem de professores. Segundo, modernizar as escolas com equipamentos que supram as necessidades dos estudantes, não apenas em salas de aula, como também na capacitação para o mercado de trabalho, o que em outras palavras significa ensinar os alunos a lidar com as novas tecnologias.

Torna-se necessária a adequação da grade curricular, para que seja voltada à globalização. É preciso aumentar a remuneração dos professores e encontrar alternativas, como por exemplo, o planejamento familiar, para diminuir o índice de repetência e evasão escolar. Enfim, não faltam ideias. Só falta boa vontade política para modificar o quadro catastrófico enfrentado pela educação no Brasil.

* Lázaro Pontes é advogado e empresário, mestre em Direito Educacional e Direito Empresarial.